PRÉ-VENDA!  

O LOBISOMEM ERRANTE 

 

Apenas 220 exemplares, numerados e assinados por Julio Shimamoto! 

Acompanha gravura em serigrafia (21 x 15 cm), também numerada e assinada pelo mestre Shima!

Capa serigrafada em tinta prata sobre papel preto! 

Miolo em offset.  

Frete grátis para todo o Brasil! 

Envio a partir de 30 de novembro de 2020

O GOZO TAQUIGRAFADO DE UM LOBISOMEM ERRANTE 

 

Dia desses, antes da pandemia, Shima me liga: 

– Grande Márcio, tudo bem? Estava revirando as gavetas aqui e encontrei uma HQ antiga, que nem lembrava ter feito. É erótica. Fiz pra um zine, mas a editora acabou não publicando. Acho que ficou meio constrangida. Tava pensando em te enviar pra você ver se aproveita de alguma forma. Mas já aviso que ela é bem diferente... 

Não foi fácil segurar a ansiedade. A vantagem é que Shima está longe de ser um enrolão. Logo O Lobisomem Errante me aguardava na caixa de e-mails. Imediatamente, comecei a abrir os arquivos, um por um. Confesso: por mais que houvesse tentado, fui incapaz de imaginar o quão diferente era a HQ. E olha que estamos falando de Julio Shimamoto, legenda dos quadrinhos brasileiros, com uma carreira que ultrapassa seis décadas – tendo a experimentação como um de seus pilares! 

Mais conhecido por sua vasta produção nos sombrios campos do horror, o erotismo não é um tema raro para o nosso samurai. Tampouco a pornografia – que, libidinosamente, é onde O Lobisomem Errante parece se encaixar com maior precisão. Terror e sacanagem – muitas vezes juntos e misturados – estão entre os gêneros mais populares que já existiram no Brasil. E é impossível falar deles sem citar Shimamoto. 

Ainda que possa ser categorizada como terror pornô, O Lobisomem Errante não é uma HQ convencional. Criada como colaboração para um fanzine da metade dos anos 90, a breve narrativa jamais ocupou as páginas daqueles gibis de banca que disputavam a atenção – e os trocados – de lúbricos leitores. E seu caráter inusitado não para por aí. 

O experimentalismo sempre foi uma característica indissociável à arte de Julio Shimamoto. Difícil imaginar técnica que o quadrinista não tenha utilizado. E quando todos os caminhos pareciam trilhados, Shima não se furtou a abrir outros, completamente inéditos. Cidade de Sangue – que tive a honra de assinar o roteiro – foi desenhada com maçarico e ferro de solda sobre papel de fax. Antes disso, dá-lhe raspagem em cerâmica, fuligem no plástico, tinta de parede em balão distorcido sobre fotocopiadora. A lista de realizações é tão grande quanto surpreendente. Pura invenção.

 

Comparações entre HQs e cinema são usuais, mas nem sempre desejáveis. Primo pobre, os quadrinhos geralmente acabam em posição de subserviência. Há, contudo, um paralelo inescapável neste caso em particular. Um dos ciclos mais instigantes do cinema brasileiro foi aquele nascido em São Paulo, mais precisamente no bairro de Santa Efigênia, a chamada Boca do Lixo. Ali, dando sequência à produção mais experimental/marginal de nomes como Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci e Carlos Reichenbach, surge um cinema popular, de produção precária e apelo erótico, ancorado exclusivamente na bilheteria: a pornochanchada. 

É também em São Paulo que pequenas editoras como La Selva e Outubro darão fôlego ao terror nos quadrinhos brasileiros, tornando-o um dos gêneros mais populares de nossa história. Um terror encharcado de sensualidade latina, como seria de se esperar. Shima esteve ali desde o princípio, construindo uma autoralidade gráfica baseada em ousadia. Se existe no Brasil um Cinema de Invenção – alcunha criada pelo saudoso crítico Jairo Ferreira para os filmes experimentais, à margem do cinemão – o que Julio Shimamoto sempre produziu foi um Quadrinho de Invenção. Por consequência, O Lobisomem Errante pode – e deve! – ser fruído como uma divertida pornochanchada quadrinística. 

Levei um susto ao deitar os olhos sobre a HQ pela primeira vez. Notável pela perícia nas mais diversas e improváveis técnicas de arte-final, Shima adota aqui uma direção diametralmente oposta. No lugar de tintas, lâminas, pregos, fogo e ferramentas inimagináveis, uma simples Bic. Ao invés de um cuidadoso planejamento dos quadros por meio de esboços prévios, a forma definitiva plasmada direto no papel, sem etapas intermediárias. Tinta ejaculada da esferográfica. Erros – pecados?! – assumidos sem culpa, vergonha ou contrição. Gozo taquigrafado.  

Rapidamente percebi que o despretensioso e lascivo conto não seria apropriado a paladares mais conservadores – em quaisquer sentidos que o termo conservador possa assumir. Como história em quadrinhos, O Lobisomem Errante está a milhas de distância dos trabalhos mais emblemáticos do autor. Sua força reside justamente no caráter íntimo e privado. É como se, por um breve momento, um artista de primeira grandeza do quadrinho nacional nos oferecesse acesso irrestrito ao que há de mais recôndito em sua obra – e sua psique. Um pequeno tesouro, disponível apenas aos leitores que carregam em si a mais profunda admiração pelo grande artista que é Julio Shimamoto.  

Foi com tudo isso em mente que comecei a desenhar a edição que a MMarte está lançando. Idealizada em tiras horizontais, Shima logo me autorizou a remontar a HQ num formato de página mais tradicional. A ideia inicial era que fizesse parte de uma antologia – do autor, ou mesmo coletiva. Declinei. O Lobisomem Errante é uma história em quadrinhos ímpar, mesmo se comparada a outras do próprio samurai. Destoaria dentro de qualquer publicação. Sendo algo único e pessoal, deveria receber tratamento editorial compatível.

     

A visceral espontaneidade com que a HQ foi produzida carrega o DNA de Julio Shimamoto. Ressaltar essa característica se tornou uma obsessão. Surge daí a capa impressa em serigrafia, cópia por cópia, em primorosa artesania sob responsabilidade do grande JP (Studiartista). Prata sobre preto, numa alegoria ao próprio mito licantropo. 

 

Como que por encanto (ou feitiço), encontro uma fantástica ilustração de Shimamoto – daquelas em que esbanja sua inimitável habilidade, e que parece ter saltado do microcosmo estabelecido na HQ. Coincidências existem? Não sei. Existe agora essa linda gravura, também impressa em serigrafia – e que imagino ganhar molduras e paredes Brasil afora. 

São apenas 220 exemplares de O Lobisomem Errante, acompanhados de 220 gravuras. Cada um, uma peça única, exclusiva, afetuosamente numerada e assinada por Julio Shimamoto – um artista discreto e de raríssimas aparições públicas. Se você é for proprietário de uma delas, não é um gibi que terá em casa, mas uma legítima obra do mestre.  

É ou não é um pequeno tesouro? 

 

Márcio Paixão Jr. 

Novembro, 2020. 

 

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